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"Quando ela escreve" se assume completamente como tal, agora até no endereço. Como no início não tinha certeza do nome que iria dar ao blog, resolvi colocar um genérico. E aproveitando a sutil mudança, vou falar um pouco do nome.

O motivo de eu ter escolhido esse nome, de forma direta e sem história frufru, é devido a uma música que ouvia exatamente no momento da escolha, chamada Quando Ela Fala. Na verdade, trata-se de um poema de Machado de Assis transformado em música por Carlos Lyra e cantado, na minha casa, pelo grupo Boca Livre. Nele, o eu-lírico relata as sensações e desejos que sente quando sua bela moça fala. E eu, sem estabelecer nenhuma relação com os encantos da moça do poema, fiquei com o verso-e-título na cabeça e o adaptei para a situação em que me encontro no blog, a de escritora.

De início era bem provisório, nem tinha curtido tanto. Mas depois, comecei a achar interessante pensar no que acontece quando escrevo. Não tanto com os outros, mas comigo principalmente. Como disse no primeiro post, este blog é um grande desafio pra mim, que sempre tive medo de mostrar minhas "tolices". Então a minha entrada no universo "bloguístico" era um desafio imenso.

Bom, e o que acontece afinal? Não sei se sei. Acho que a cada "Publicar Postagem" é uma barreira ultrapassada, é a quebra de muros desnecessários, e às vezes o grito que estava entalado faz tempo. Algumas vezes já fiquei olhando para os textos um bom tempo antes de publicá-los, outros quase deletei. Mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Inclusive o desafio de expor opiniões e sentimentos, sem medo das interpretações dos outros.

Aliás, acho que esse é um dos pontos mais importantes pra mim com este blog: vencer o medo da opinião dos outros. Não que os comentários, críticas etc dos poucos-mas-queridos-leitores não sejam importantes! São super queridos e mais que bem vindos. Mas isso porque eles tem origem no que eu escrevo; pensar neles não mais me impede de escrever.

E assim vamos. Gosto desse meu canto, embora não tenha vindo pra cá com tanta frequência. Em 2010 ele me fará companhia e, se acharem interessante, podem continuar acompanhando.

Pretendo que este não seja o último post de 2009, então nos encontramos ainda este ano.

Ah, e pra quem não conhece o poema, lá vai:


Quando Ela Fala
Machado de Assis

Quando ela fala, parece
Que que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala

Meu coração dolorido
As suas mágoas exala.
E a volta ao gozo perdido
Quando ela fala.

Pudesse eu eternamente
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.

Minh'alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la,
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.

Comentários

O texto que postei, da Cecília, foi realmente pra você. Lindo mesmo! É assim que a vida tem que ser... simples... com pequenas felicidades saltando aos nossos olhos. Que venha 2000 e 10. Um grande beijo.
Anônimo disse…
Esses dias fiz, sem querer, uma pergunta muito curiosa para um amigo, que ele adorou; então, lá vai:
- É possível mergulhar num rio sem se molhar?

Sobre o seu mergulho no universo da escrita publicada, ainda que lida por poucos, a minha experiência de quase quatro anos diz: é fantastico! Volta e meia eu me pego lendo meus textos de 2006, ou 2007. No meu caso, para o bem ou para o mal, vejo que não mudei em essencia.

E pode até parecer arrogancia, mas não é. Volta e meia estou numa conversa e penso "já escrevi sobre isso". O que foi importante para que eu tivesse idéias organizadas sobre o assunto e pudesse me colocar melhor.

Boa sorte!! Estaremos juntos!
érica disse…
Não conhecia o poema. É lindo demais! *-*
Fico feliz de poder participar deste seu ato de coragem e auto-conhecimento. Seu blog é um lugarzinho danado de especial. Talvez porque você se desnude nele com tanta graça e honestidade.
Continue escrevo. Continuarei lendo. E me deliciando com suas palavras doces. :)

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